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Secretaria de Estado de Saúde



Enfermeira amazonense representa o Brasil em treinamento no Japão

23/10/2017 11:09:34

O que existe em comum entre o Brasil, a África e o Japão em termos de atendimento materno infantil e de que forma estes países podem colaborar entre si, para melhorar a assistência nesta área da saúde? É o que pretende descobrir aenfermeira amazonense Patrícia da Silva Magalhães que, na segunda-feira, 23, embarca para a província de Oknawa, no Japão, onde participa de um programa de treinamento oferecido pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). 

 

Patrícia, que atua há 20 anos na Secretaria Estadual de Saúde (Susam), é uma das seis brasileiras selecionadas pelo governo japonês para participar do treinamento “Strengthening  Maternal  and Child Health Through Public  Health Activities (B)”, em português: “Programa de Co-criação de Conhecimento e Fortalecimento da Saúde Materno Infantil Mediante Atividade de Saúde Pública”.

 

Do Norte, apenas Patrícia e outra enfermeira de Tocantins integram a equipe. As outras representantes são das regiões Centro-Sul, Sul e Sudeste. Além do Brasil, quatro países africanos que falam a língua portuguesa participam do treinamento: Angola, Moçambique, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe.

 

Patrícia conta que os critérios para a seleção, realizada em agosto, foram rígidos – ter mestrado, falar inglês (embora o curso seja na língua portuguesa), atuar há mais  de 12 anos na assistência materno infantil no SUS e toda a formação ligada à área, além do aceite e liberação por parte do órgão governamental ao qual o candidato estava vinculado.

 

Neste último ponto, a enfermeira conta que recebeu todo apoio da Susam que, além de liberá-la para o treinamento, fez ao governo Japonês a recomendação e a apresentação da  candidata como representante do Governo do Estado do Amazonas no curso de formação. Uma das contrapartidas dos participantes é replicar os conhecimentos adquiridos para ações de fomentação visando à melhoria da assistência materno infantil no local onde atuam.

 

Embora ainda não tenha recebido a programação com conteúdo do treinamento, que vai durar 55 dias (de 23 de outubro a 17 de dezembro), a intenção da enfermeira Patrícia é aprender, tanto com a experiência japonesa, quanto dos países africanos. “A expectativa é a melhor possível, primeiro porque  a troca cultural vai ser muito interessante, assim como profissionalmente será muito enriquecedor. Estaremos lidando com duas realidades, uma que a gente não conhece, que é a assistência materno infantil na África, com taxas baixas de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)”, revela.

 

Patrícia pretende traçar um comparativo entre o que é ofertado na assistência materno infantil no Amazonas, com o que é feito em outros países que também falam o Português e trazer de lá ações que possam ser implementadas com baixo custo e com processos de trabalho melhorado. “A ideia é tirar o máximo proveito das experiências da África e do Japão, que tem um dos melhores IDHs do mundo”, afirma a enfermeira.

 

Na programação está prevista uma ida a Tóquio, onde a equipe irá conhecer a experiência local. “Minha expectativa é, além da troca cultural, trazer experiências exitosas de Oknawa e de Tóquio, para aplicar na nossa realidade", revela.

 

Ela lembra que há dez anos, quando o Amazonas também participou de um curso da mesma natureza oferecido pela agência japonesa, houve muitos avanços na saúde pública do estado, inclusive com a aplicação de recursos da Jica em maternidades do Amazonas. “A gente tem a expectativa de trazer ideias, ações e também recursos financeiros. Já temos um histórico com a Jica, que resultou na aplicação de recursos na saúde local”, conta.

 

Por outro lado, a enfermeira pretende levar na bagagem sua experiência de 20 anos na docência, na assistência e na gestão para compartilhar com os outros participantes. No primeiro dia, o participante terá que apresentar sua experiência na área aos demais. “Eu venho de um trabalho de oito anos no interior, onde também fui gerente desse setor. Conheço 70% dos municípios amazonenses e quero mostrar como fazemos assistência materno infantil no interior do Amazonas e na capital”, observa.