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Mutirão dermatológico atende a 900 pessoas e reduz filas de espera na rede estadual de saúde

04/12/2017 14:20:20

Mais de 900 pessoas foram atendidas, neste sábado (02/12), no Mutirão Dermatológico realizado na Fundação Alfredo da Matta (Fuam), instituição vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (Susam). A ação, em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), teve ênfase aos casos de suspeita de câncer de pele, no contexto do “Dezembro Laranja”, Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele, promovido pela SBD. Foram oferecidos desde exames dermatológicos a procedimentos cirúrgicos para câncer

Este foi o quarto e último mutirão realizado pela Fuam neste ano. A expectativa era de atender a 700 pessoas, mas a alta procura fez com que a diretoria da unidade ampliasse o número de vagas para 900.

Os mutirões de atendimento têm sido uma das principais estratégias da nova gestão da Susam para reduzir as longas filas de espera encontradas pela atual gestão. A dermatologia é a quarta especialidade médica mais procurada no Estado do Amazonas. Uma equipe de mais de 100 técnicos, entre médicos especialistas, enfermeiros, bioquímicos e outros, participaram da ação. “Estes mutirões são importantes para ampliar a oferta de consultas, permitindo que possamos atender uma grande quantidade de pessoas num único dia, em uma especialidade específica”, disse o secretário de Estado de Saúde, Francisco Deodato.

Neste sábado, foram oferecidos exames dermatológicos, biópsias, consulta com médicos especialistas, pequenos procedimentos cirúrgicos e agendamento para cirurgias mais complexas quando necessárias. Também foram oferecidos aos pacientes no local, testes rápidos de HIV e Sífilis.

Esta agilidade no diagnóstico e tratamento do câncer de pele é importante para a cura da doença, segundo o diretor-presidente da Fuam, dermatologista Helder Cavalcante. “Quando detectado e tratado precocemente, o câncer de pele tem cura. Qualquer sinal, qualquer caroço ou sinal na pele, que comece a aumentar, doer ou sangrar é um forte sinal de câncer de pele”, explicou o médico especialista.

A aposentada Lisa Pereira de Melo, de 78 anos, viajou do município de Terra Santa, no interior do Pará, em busca do mutirão dermatológico em Manaus. “Eu vim de muito longe para fazer os exames. Eu tinha fé em Deus de que ia vencer e conseguir um tratamento no Amazonas. Fui atendida pelo médico e já vou retirar alguns sinais na pele, que surgiram há quatro meses. Procurei logo o tratamento para me curar”, explicou.

Apoio às fundações

Durante o mutirão, o secretário de Saúde Francisco Deodato ressaltou a consolidação do modelo de atuação do novo governo na área de saúde, que visa apoiar as fundações para que elas possam atender melhor à população. Na Fuam, as principais medidas serão a conclusão da reforma do laboratório da unidade, a ampliação do quadro de servidores e o reordenamento administrativo-financeiro.
 
“Esta é uma instituição estrategicamente muito importante para o Estado do Amazonas e para a região Norte do país. A nossa presença aqui hoje é para dizer que vamos continuar trabalhando para que esta instituição continue avançando no sentido de melhor atender as pessoas, com um corpo técnico que dá uma demonstração de comprometimento com a população do Amazonas”, destacou Deodato.
 
Para o diretor da unidade, o apoio é essencial para ampliar o atendimento à população e atingir a meta da nova gestão da Susam de reduzir as filas de espera na saúde. “Com este laboratório que, com o apoio da Susam, pretendemos reabrir nos próximos meses, ampliamos a nossa capacidade de atendimento em 50%, além de oferecer serviços mais especializados com maior celeridade”, ressaltou Cavalcante.
 
Casos de câncer de pele

Por ano, em média 500 casos de câncer de pele são diagnosticados e tratados na Fuam, referência no tratamento da doença. Para todo o Amazonas, a previsão do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 1.110 novos casos diagnosticados.

O número de atendimentos na Gerência de Cirurgia da Fuam, setor responsável pelos atendimentos de Câncer de Pele, são expressivos: de janeiro a agosto deste ano, foram realizadas 4.098 consultas médicas e 856 procedimentos de biópsias. Houve ainda 2.777 cirurgias do tipo exereses (com retirada de tecido doente), 2.931 criocirurgias (processo terapêutico baseado no tratamento de lesões pelo frio, com uso de agentes químicos para o resfriamento abrupto da lesão) e quatro do tipo microneurólise para descompressão de nervo periférico, cirurgia realizada em pacientes de hanseníase.
 
Ao longo dos últimos 17 anos, foram registrados 5.382 casos de câncer de pele pela Fuam, o que representou 4,0% do total de dermatoses prioritárias atendidas na unidade. Deste total, 194 (3,6%) foram de Melanoma, sendo 51,5% no sexo masculino e 48,5% no sexo feminino.
 
Prevenção

Como o Amazonas fica em uma região geográfica de forte incidência de raios solares, os especialistas alertam para que a população observe possíveis sinais da doença e busque atendimento. O dermatologista Helder Cavalcante ressaltou que a porta de entrada do paciente deve ser por uma Unidade Básica de Saúde (UBS), serviço municipal oferecido em diferentes bairros. “Quem tem os sintomas pode procurar uma unidade básica de saúde para um técnico treinado fazer uma avaliação inicial. Caso haja necessidade, o paciente será encaminhado para uma unidade como a Fuam, que é referência no tratamento de doenças dermatológicas”, orientou.
 
Sobre o câncer de pele

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele são histórico familiar da doença; pessoas de pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros; pessoas que trabalham frequentemente expostas ao sol sem proteção adequada; exposição prolongada e repetida ao sol na infância e adolescência.
 
A doença se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células da pele. As células se dispõem em camadas, por isso, dependendo da camada afetada, têm-se diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas do tipo Basocelular, Espinocelular e o Melanoma, este último, o mais agressivo.
 
Lesões na pele, inicialmente semelhantes a uma espinha que não cicatriza ou cresce lentamente; que com o passar do tempo podem sangrar espontaneamente ou formar pequenas feridas; alterações em pintas pretas ou acastanhadas – mudança na cor ou textura, bordas irregulares e alteração de tamanho de manchas ou sinais, podem ser alguns sinais da doença.
 
Proteção

Para proteger a pele são recomendados ainda cuidados como o uso de roupas que protejam a pele – como as com mangas longas – e chapéus com abas largas, além de óculos, guarda-sol e protetor solar. Deve-se evitar a exposição solar prolongada, especialmente em horários mais quentes.
 
Todos devem ficar atentos a qualquer alteração na pele e visitar regularmente um médico dermatologista para prevenção, pois quanto mais cedo for detectado o câncer de pele, maiores são as chances de cura.