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Secretaria de Estado de Saúde



Em um dia, mutirão dermatológico da Fuam detecta 45 novos casos de câncer de pele

04/12/2017 15:51:38

O mutirão dermatológico realizado sábado (02/12) na Fundação Alfredo da Matta (Fuam) detectou 45 novos casos de câncer de pele. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (04/12) pela diretoria da unidade, referência na rede estadual de saúde no tratamento de doenças da pele. Ao todo, 900 vagas para consultas e procedimentos foram disponibilizadas para a população, reduzindo as filas de espera na área de saúde dermatológica, a quarta especialidade mais procurada no estado.


De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Francisco Deodato, os mutirões de atendimento têm sido uma das estratégias da nova gestão da Susam para reduzir as filas de espera.  “Estes mutirões são importantes para ampliar a oferta de consultas, permitindo que possamos atender uma grande quantidade de pessoas num único dia, em uma especialidade específica”, disse.



Entre os 45 casos de câncer de pele identificados durante o mutirão da Fuam, 33 foram resolvidos no mesmo dia. São os casos que necessitam de pequenas cirurgias, como o da aposentada Lisa Pereira, de 78 anos, que viajou do município de Terra Santa, no Pará, em busca de atendimento na Fuam.



"Eu vim de muito longe para fazer os exames. Eu tinha fé em Deus de que ia vencer e conseguir um tratamento no Amazonas. Fui atendida pelo médico e já vou retirar alguns sinais na pele, que surgiram há quatro meses. Procurei logo o tratamento para me curar", declarou, após a retirada do câncer no rosto.



Os outros 12 casos de câncer de pele registrados, que necessitam de grandes cirurgias, foram encaminhados ao Hospital e Pronto-Socorro da Zona Norte, que também integra a rede de saúde do Governo do Amazonas. O  hospital está reforçando a oferta desses procedimentos com vistas à redução no tempo de espera dos pacientes.  



Mesmo após as cirurgias, os pacientes precisam fazer acompanhamento periódico para evitar o ressurgimento do câncer de pele.



Mutirão em números - Durante o mutirão, foram realizados 823 exames dermatológicos, 508 consultas médicas e 308 atendimentos farmacêuticos (distribuição de medicação). Um total de 218 pacientes realizaram testes rápidos de sífilis e HIV. Também houve atendimento de psicólogos e assistentes sociais.



Os médicos diagnosticaram, além dos 45 novos casos de câncer de pele, 21 casos de sífilis, cinco de hanseníase e dois de HIV. Os pacientes com sífilis receberam medicação no sábado (2), logo após o diagnóstico. Já os pacientes com hanseníase e HIV iniciaram o tratamento nesta segunda-feira (4) na Fuam.



Uma equipe de mais de 100 técnicos, entre médicos especialistas, enfermeiros, bioquímicos e outros, participaram da ação, realizada em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 



Casos de câncer de pele - Por ano, em média 500 casos de câncer de pele são diagnosticados e tratados na Fuam, referência no tratamento da doença. Para todo o Amazonas, a previsão do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 1.110 novos casos diagnosticados ao ano.



O número de atendimentos na Gerência de Cirurgia da Fuam, setor responsável pelos atendimentos de Câncer de Pele, são expressivos: de janeiro a agosto deste ano, foram realizadas 4.098 consultas médicas e 856 procedimentos de biópsias. Houve ainda 2.777 cirurgias do tipo exereses (com retirada de tecido doente), 2.931 criocirurgias (processo terapêutico baseado no tratamento de lesões pelo frio, com uso de agentes químicos para o resfriamento abrupto da lesão) e quatro do tipo microneurólise para descompressão de nervo periférico, cirurgia realizada em pacientes de hanseníase. 



Ao longo dos últimos 17 anos, foram registrados 5.382 casos de câncer de pele pela Fuam, o que representou 4,0% do total de dermatoses prioritárias atendidas na unidade. Deste total, 194 (3,6%) foram de Melanoma, sendo 51,5% no sexo masculino e 48,5% no sexo feminino.


Como o Amazonas fica em uma região geográfica de forte incidência de raios solares, os especialistas alertam para que a população observe possíveis sinais da doença e busque atendimento. O diretor-presidente da Fuam, dermatologista Helder Cavalcante, ressaltou que a porta de entrada do paciente deve ser por uma Unidade Básica de Saúde (UBS), serviço municipal oferecido em diferentes bairros. “Quem tem os sintomas pode procurar uma unidade básica de saúde para um técnico treinado fazer uma avaliação inicial. Caso haja necessidade, o paciente será encaminhado para uma unidade como a Fuam, que é referência no tratamento de doenças dermatológicas”, orientou. 


Sobre o câncer de pele - Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele são histórico familiar da doença; pessoas de pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros; pessoas que trabalham frequentemente expostas ao sol sem proteção adequada; exposição prolongada e repetida ao sol na infância e adolescência. 



A doença se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células da pele. As células se dispõem em camadas, por isso, dependendo da camada afetada, têm-se diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas do tipo Basocelular, Espinocelular e o Melanoma, este último, o mais agressivo.



Lesões na pele, inicialmente semelhantes a uma espinha que não cicatriza ou cresce lentamente; que com o passar do tempo podem sangrar espontaneamente ou formar pequenas feridas; alterações em pintas pretas ou acastanhadas – mudança na cor ou textura, bordas irregulares e alteração de tamanho de manchas ou sinais, podem ser alguns sinais da doença.



Proteção - Para proteger a pele são recomendados ainda cuidados como o uso de roupas que protejam a pele – como as com mangas longas – e chapéus com abas largas, além de óculos, guarda-sol e protetor solar. Deve-se evitar a exposição solar prolongada, especialmente em horários mais quentes.

Todos devem ficar atentos a qualquer alteração na pele e visitar regularmente um médico dermatologista para prevenção, pois quanto mais cedo for detectado o câncer de pele, maiores são as chances de cura.