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Secretaria de Estado de Saúde



Com o período chuvoso, aumenta o número de atendimentos a crianças com resfriado

13/04/2018 16:20:02

Os atendimentos nos prontos-socorros infantis de Manaus costumam triplicar entre os meses de abril e maio e a explicação são as mudanças bruscas de temperatura, por conta do período chuvoso, deixando as pessoas com imunidade baixa e aumentando, assim, o risco de doenças como o popular resfriado, sobretudo em crianças. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), esse é o período do ano em que as unidades da capital começam a registrar maior volume de pacientes com doenças do aparelho respiratório.

 

A pediatra Eriane Oliveira, do Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, unidade da Susam, lista algumas dicas que podem ajudar os pais na prevenção e tratamento destas e outras patologias infecciosas. De acordo com a especialista, um dos principais cuidados é evitar locais fechados, com grande aglomeração de pessoas. “Até os cinco anos, as crianças não têm nenhum tipo de defesa, pois ainda estão com o sistema imunológico em formação. Portanto, é bom evitar lugares com aglomeração de pessoas”, orienta a pediatra.

 

Manter as crianças sempre hidratadas é outra dica da especialista. Eriane orienta o consumo de pelo menos um litro de água por dia. “A hidratação aumenta a defesa do organismo. Muitas crianças não gostam de beber água, mas os pais têm que insistir”, diz ela.

 

Boa alimentação - A qualidade da alimentação também está diretamente ligada à capacidade da criança em passar por esse período chuvoso longe dos resfriados. “Uma boa alimentação aumenta a defesa do organismo. Isso significa evitar massas e açúcares, e dar maior prioridade aos alimentos saudáveis, ingeridos em horários regulares”, ensina a médica.

 

Lavar bem os alimentos antes de consumi-los, também é muito importante, ressalta a médica, pois afasta o risco de contrair outros tipos de infecções, como as viroses intestinais.

 

Vacinação - A médica chama atenção, ainda, para o cuidado com as vacinas. “É preciso sempre estar atento às datas do calendário de vacinação, para manter a imunização em dia, principalmente, nesses primeiros anos de vida”, ressalta.

 

Por fim, Eriane destaca a importância da prática de atividade física e esportiva. “Pessoas que praticam esportes costuma ter mais resistência a gripes e resfriados. Isso vale também para as crianças”, afirma médica.

 

A pediatra lembra, também, dos cuidados que se deve ter com as condições de moradia. “Os pais devem ter o cuidado de não deixar ambientes úmidos, como paredes molhadas. Esse é um ambiente propício a fungos, que podem desencadear uma série de doenças”, diz a especialista.

 

Sintomas - De acordo com a pediatra, para identificar se a criança está com resfriado, deve-se observar três sintomas: febre, irritação na garganta e tosse com catarro. Segundo a médica, em geral, a febre dura três dias, a garganta irritada cinco dias, e a tosse até duas semanas.

 

Eriane aconselha que os pais só levem os filhos a uma unidade de saúde de urgência e emergência quando estes sintomas se estenderem por mais dias. Como, por exemplo, febre persistente por mais de três dias.

 

“Quando passa desse período, você procura o serviço médico, porque a gente passa ter em mente que não houve invasão do organismo somente de vírus, mas também de bactérias. E essas bactérias podem estar causando as chamadas complicações pós-resfriado, como sinusite, amigdalite, inflamação de ouvido, inflamação dos ossos da face e bronquites”, explica a médica.

 

Eriane ressalta que, diante dos sintomas normais do resfriado, os pais devem ter paciência, garantindo apenas que a criança se mantenha hidratada e em repouso. Segundo a médica, o próprio corpo combaterá a doença. Sem a devida prescrição médica, ela desaconselha inclusive o uso de medicamentos para combater a febre durante os três dias.

 

“Não se combate a febre no resfriado. Só se combate febre em crianças com predisposição para convulsão. O benefício da febre é muito grande. Quanto mais quente a gente fica, mas rápido a gente sara”, defende Eriane.

 

Números - Em 2017, as unidades de urgência e emergência de Manaus, especializadas no atendimento a crianças, receberam 5.171 pacientes com doenças relacionadas ao aparelho respiratório.

 

No ano de 2017, no mês de janeiro, 260 crianças deram entrada nas unidades especializadas com doenças do aparelho respiratório. Em fevereiro o número foi para 271 e em março saltou para 541 casos. Em abril do mesmo ano, os atendimentos chegaram a 805, e 862 em maio.

 

Depois de registrar 607 casos em junho, a demanda começou a diminuir a partir de julho (362), voltando para a casa dos 260 atendimentos a partir de setembro. O aumento dos casos está diretamente relacionado ao período chuvoso na região.