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Gravidez após o câncer de mama entra em pauta na 'Quarta Científica' da FCecon

18/04/2018 08:41:22

Apesar de ser mais comum em mulheres com idade acima de 50 anos, o câncer de mama também afeta uma parcela jovem da população feminina, que ainda está em idade reprodutiva. A afirmação é da mastologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Doutora Hilka Espírito Santo.  A médica será palestrante  da ‘Quarta Científica’, evento que acontece nesta quarta-feira (18/04), na FCecon, unidade da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), com o tema “Gravidez após o câncer de mama”.
 
O evento, voltado para orientar os profissionais da saúde sobre como proceder com pacientes nessa condição que manifestem o desejo de ser mãe, é gratuito e acontece às 19h, no auditório da instituição, no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus. As vagas são limitadas e podem ser feitas na Diretoria de Ensino e Pesquisa do hospital.
 
Hilka Espírito Santo destaca que a viabilidade da gravidez dependerá de vários critérios, como estabilidade clínica da paciente, ter concluído o tratamento de combate à doença, entre outros. “Também indicamos que a gravidez ocorra pelo menos dois anos após o tratamento, seja ele quimioterápico, radioterápico ou cirúrgico. Lembramos que o câncer de mama requer um acompanhamento multidisciplinar de dez anos. É o que chamamos de seguimento, para garantir que a paciente seja submetida, nos intervalos corretos, aos exames indicados para saber se ela teve recidiva de doença ou se está saudável, sem a necessidade de novas intervenções”, explicou.
 
De acordo com a mastologista, estudos recentes apontam que a gravidez tem ajudado no prognóstico de mulheres que enfrentam o câncer de mama, por conta do fator psicológico. “No caso de pacientes jovens, que foram diagnosticadas com a doença em estágio inicial e receberam o tratamento adequado, não há contraindicação. A gravidez não piora o prognóstico das pacientes. Pelo contrário: melhora, pois tem um impacto positivo na vida delas. Acreditamos que isso ocorra por conta do psicológico e do lado emocional, que acabam sendo mais trabalhados”.
 
A médica alerta, porém, que em caso de uma eventual gravidez, uma parcela das pacientes que faz uso de determinados quimioterápicos, possivelmente precisará interrompê-los temporariamente. Mas isso só ocorrerá mediante indicação médica e após uma avaliação criteriosa.
 
Psicológico - A gerente do Serviço de Psicologia da FCecon, Maria Graciete Ribeiro Carneiro, explica que, mesmo após o tratamento e a alta oncológica, uma parte das mulheres ainda tem medo que a doença retorne. “Os psicólogos do setor explicam a elas durante a terapia, que é preciso focar na vida, se cuidar, realizar todo o tratamento. O nosso trabalho é apresentar evidências de que o câncer tem cura e mudar a impressão que elas têm sobre a doença. Trabalhamos com a motivação e orientações psicoeducativas para dar informações que lhes ajudem a organizar a vida e a mudar distorções existentes. Trata-se de um momento de mudança em que a mulher precisa rever conceitos”, salientou a psicóloga.
 
Durante todo o tratamento, a FCecon oferece o serviço de atendimento psicológico ao paciente oncológico e aos familiares que buscam auxílio na unidade hospitalar.
 
Prevenção - Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS), apontam que o Amazonas registrará cerca de 420 novos casos de câncer de mama este ano.
 
A doença é considerada silenciosa e de desenvolvimento lento. Por isso, a mastologista Hilka Espírito Santo reforça a necessidade da realização dos exames de rastreio, com atenção para as faixas etárias indicadas pela Sociedade Brasileira de Mastologia.
 
Além do autoexame, que pode ajudar a detectar tumores em fases intermediárias e outras alterações na mama, a mamografia continua sendo o método mais eficaz de apoio ao diagnóstico do câncer de mama. É indicada a mulheres com 40 anos ou mais, e deve ser feita anualmente. Para mulheres com menos de 35 anos, é indicada a ultrassonografia mamária.
 
“Exceto em casos de histórico na família, por conta do fator hereditário, para essas mulheres, a mamografia deve ser iniciada mais cedo, facilitando o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as chances de cura!”, frisou. Reconhecida como método de rastreio eficaz do câncer de mama, a mamografia diminui em até 40% as mortes pela doença em mulheres que fazem a prevenção anual regular.