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Secretaria de Estado de Saúde



Plano de ação contra o sarampo no Estado ganha reforço do MS e da Opas

21/06/2018 15:29:24

Um plano coordenado entre as Secretarias de Saúde do Estado (Susam) e do Município (Semsa), com apoio do Ministério da Saúde (MS) e Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), começou a ser colocado em ação esta semana. O objetivo é intensificar as ações para conter o surto de sarampo em Manaus e evitar o aumento de casos nos municípios do interior com registro da doença. O Amazonas tem 1.441 casos notificados de sarampo e 263 confirmados.


Uma  missão de apoio, composta por dois representantes do MS e um da Opas, reuniu-se no fim da tarde desta quarta-feira (20/06) com o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, na sede da Susam, ocasião em que a parceria foi oficializada em termos de Estado. Desde a última terça-feira (19/06), a missão está reunida com técnicos da vigilância e assistência básica em saúde do Estado e da Prefeitura de Manaus, trabalhando novas estratégias de atuação.“Considero muito bem vindo o reforço da Opas e do Ministério da Saúde, no momento em que estamos travando essa guerra contra o sarampo, no Estado. O Governo do Amazonas está empenhado em conter o avanço da doença, o mais rápido possível”, disse Deodato.


O secretário ressaltou as ações que vêm sendo implementadas pelo Governo do Amazonas, em parceria com os municípios, a partir da notificação dos primeiros casos de sarampo em Manaus. “Estamos em constante vigilância. Desde o primeiro momento, estabelecemos protocolos para toda a rede de atendimento pública e privada, com fluxo e encaminhamento de pacientes identificados com suspeita de sarampo às unidades de referência. Foi criada a Sala Estadual de Resposta Rápida para Surto de Sarampo, para monitorar os casos suspeitos e confirmados. As Fundações de Vigilância em Saúde (FVS) e de Medicina Tropical (FMT) vêm promovendo a capacitação e treinamento, presencial e com uso de tecnologia de educação à distância, dos servidores de saúde de todos os municípios. Como não tínhamos sarampo há pelo menos  18 anos, muitos profissionais nunca tinham lidado com a doença”, ressaltou o secretário.


O coordenador do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do MS, André Luiz de Abreu, afirmou que a missão da equipe que está em Manaus é somar com as ações que já estão sendo realizadas pelo Estado e municípios. “Até o momento, as ações locais têm sido positivas e agora precisamos avançar para uma outra fase, que é otimizar a forma de trabalho, o fluxo de informação e a interação entre a área de  vigilância, a área de assistência e a cooperação internacional, para que a gente possa conter esse surto, num menor espaço de tempo possível”.


Segundo ele, o grande desafio continua sendo melhorar a cobertura vacinal, que no Brasil está abaixo do recomendado, que é 95%. O Amazonas segue próximo à média nacional, com 79,4%. “A baixa cobertura é uma preocupação nacional. Mais do que nunca, precisamos aumentar a cobertura vacinal para interromper o ciclo de transmissão.”, completou.


O diretor presidente da FVS, médico infectologista Bernardino Albuquerque, destacou que entre as medidas propostas no plano de ação está aumentar a faixa etária do público alvo da vacina tríplice viral (caxumba, sarampo, rubéola) para pessoas com até 29 anos. Também foi decidido que a divisão geográfica da cidade, em relação ao bloqueio, não será mais o Distrito de Saúde e sim o bairro, para restringir ainda mais o perímetro de ação. "O sarampo tem essa característica de ser extremamente contagioso e com o período de dez dias de transmissão, por isso, é necessário que até 24 horas após a notificação, a equipe de investigação epidemiológica deva realizar ação de bloqueio", disse.


A proposta é também melhorar a estratégia de comunicação com a comunidade, para que as pessoas se convençam da importância da vacina. “Essa é uma  missão de todos, governos e também da sociedade”, disse, Bernardino, ao ressaltar que a vacina contra ao sarampo está disponível em todas as unidades da rede básica de saúde de Manaus e dos demais municípios. É preciso que as pessoas se conscientizem do problema e procurem a imunização.


Além da meta – Para o representante da OMS, Berbardino Vitoy, é necessário alcançar além da meta de vacinar 95% do público alvo. “No momento de surto, a gente precisa vacinar muito, para ir além da meta de cobertura vacinal. A gente precisa interromper a circulação do vírus, porque, senão, não para o surto e continuam surgindo novos casos nesses cinco por cento que não estão vacinados. Agora, a missão é perseguir a interrupção de transmissão”, reforçou.


Boletim epidemiológico – De acordo com a 13ª edição do Boletim Epidemiológico da Sala  de Resposta Rápida para Surto de Sarampo do Amazonas, divulgada nesta quinta-feira (21/06) pela FVS, foram notificados, até o momento, 1.756 casos da doença no Estado. A capital, Manaus, tem 1.441 casos notificados; Manacapuru tem 256; Rio Preto da Eva tem 10; Parintins tem 8; Iranduba tem 7 e Humaitá tem 6 casos. Foram confirmados 263 casos em Manaus e descartados 125. Outros 1.368 casos suspeitos seguem em investigação no Estado.