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Secretaria de Estado de Saúde



FCecon implantará novos fluxos para melhoria do atendimento ao paciente indígena

23/07/2019 16:25:43

Grafismos nas paredes, redes para repouso, cardápio com respeito à cultura e crenças indígenas, além da melhoria no fluxo de atendimento nas Enfermarias, Emergência e Internação com o acompanhamento da Enfermeira Navegadora. Essas são algumas das melhorias que serão implementadas pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) para atender o paciente indígena.

 

As ações fazem parte dos projetos “Ambiência indígena nas enfermarias do 7º e 9º andar” e “Fluxograma ambulatorial para o atendimento do paciente indígena aldeado”, que foram apresentados, nesta terça-feira (23/07), pela direção da FCecon aos representantes da Casa de Saúde do Índio (Casai Manaus) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei Manaus). É terceira reunião entre as instituições e um último encontro será feito antes da implantação do projeto.

 

Humanização – Segundo o diretor-presidente da FCecon, mastologista Gerson Mourão, as melhorias estão alinhadas com as políticas de humanização da unidade hospitalar. Ele ressaltou que o objetivo é o respeito à cultura, às crenças, etnias, local de origem, que são característicos deles.

 

“Os indígenas merecem toda a nossa atenção e um atendimento diferenciado. Queremos, com as mudanças, proporcionar um ambiente em que se sintam acolhidos e, assim, sensibilizados para importância da permanência no hospital e aceitação do tratamento”, pontuou Mourão. 

 

Ambiência – A chefe do Serviço de Enfermagem, Shirley Fragoso, explicou que dois leitos do 7º e 9º andar serão adaptados conforme as características culturais. “Os projetos estão em tramitação na Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH), uma vez que seguimos as portarias do Ministério da Saúde (MS) e do Departamento de Vigilância Sanitária Manaus (DVisa), além de serem avaliados e validados pelos gerentes dos serviços envolvidos e diretoria. A previsão é que estejam prontos na segunda quinzena de agosto”, salientou Fragoso.

 

Exames – Segundo a responsável pelo Serviço de Atendimento Médico e Estatístico (Same), Zenóbia Lima, a Fundação também se propôs a otimizar e viabilizar os exames de diagnóstico. Ela explicou que muitos indígenas chegam ao hospital sem os laudos conclusivos necessários para que os médicos estabeleçam os tratamentos terapêuticos. 

 

Enfermeira Navegadora – O fluxograma ambulatorial para o atendimento ao paciente indígena aldeado, de acordo com Lima, também contará com acompanhamento da Enfermeira Navegadora, que irá acolhê-lo do início do tratamento à alta oncológica – envolve realização de exames, consultas médicas e internação.

 

Tratamento – A gerente de Enfermagem da Casai Manaus, Moana Barros de Gusmão Tavares, lembrou que a grande dificuldade para que o indígena permaneça e receba o tratamento é realmente o sentimento de ausência do lugar de onde vive e de seus familiares, além do choque cultural.

 

“A reunião serviu para sensibilizar a direção sobre a necessidade desse olhar diferenciado na entrada do paciente indígena com câncer. O pensamento indígena é diferente e ele não entende os fluxos de atendimento. Por isso, com o passar do tempo, e demora na emissão de exames, muitos preferem voltar para a sua aldeia e não realizar o tratamento.

 

Participaram da reunião os representantes dos departamentos Jurídico, Contas Hospitalares, Enfermagem e Internação da FCecon, além da enfermeira da Casai Manaus, Rossilda de Souza Leite.


FOTO: LUÍS MANSUETO/FCECON